quinta-feira, 3 de julho de 2008

Relação: Alto QI = Descrença religiosa

Relação: Alto QI = Descrença religiosa
Posted in June 27th, 2008
by Ewaldy Marengo in Sociedade, opiniões

Um estudo que ainda está para ser publicado na revista Intelligende diz provar que pessoas com QI alto tendem a ser menos religiosas.

Claro que é uma generalização estatística. E não deve ser tomada ao pé da letra. Mas faz sentido se pensarmos que pessoas mais inteligentes tendem a pensar mais a respeito dos dogmas religiosos, ao invés de apenas aceitá-los como verdade e obrigação.

Nesse post aqui, já falei sobre os métodos que as grandes igrejas usam para manter seu rebanho fiel e sem questionamentos.

Mas ainda não entendo como as pessoas, mesmo com baixo QI não pensam a respeito desses dogmas. Acreditar num homem invisível que criou o universo e fica o tempo todo prestando atenção na vida de todos não me parece razoável.

E me recuso a acreditar na existência de pessoas burras. A humanidade evoluiu no sentido de raciocinar, pensar. Da mesma forma que um gato evolui no sentido de ter maior habilidade física e um urso em sua força. Você consegue imaginar um gato desajeitado? Do tipo que não consegue se equilibrar num muro ou saltar em cima de uma mesa sem cair? Existem gatos assim, e geralmente são doentes.

Da mesma forma, a única explicação para uma pessoa burra, seria o fato de ter algum dano neurológico. O que não é verdade no caso da maioria das pessoas.

Preguiça de pensar é mais provável. As pessoas são educadas de forma que pensar passa a ser um luxo. Vão à igreja desde pequenas e ouvem o padre (ou pastor) dizer que “não se deve questionar a vontade de deus” e crescem com isso enraizado em sua mente.

O que falta de verdade, são pais e escolas que incentivem o pensamento e aceitem que as crianças de hoje sejam melhores.

Um caso que aconteceu essa semana muito me chamou a atenção. Meu sobrinho vive criticando sua professora (ele está na terceira série) e ela chamou minha irmã para conversar sobre a “imaturidade dele”.

Diz ela que ele é imaturo, brinca muito, não presta atenção na aula e coisas do tipo. E no dia anterior da conversa com minha irmã havia feito uma chamada oral com ele, como forma de castigo por estar brincando dentro da sala de aula. Detalhe: ele acertou tudo. A própria professora disse isso.

E mesmo assim ela quer podar ele. Se ele consegue entender tudo. Aprende. E mesmo assim sobra energia e tempo para ele se divertir, sorte dele. Não é certo podar o potencial dele mandando ele ficar quieto, esperando o resto da sala.

Entende o que quero dizer? Faz parte da nossa cultura tentar podar o potencial dos outros. De preferência fazendo com que as crianças entendam que elas não podem se destacar dos outros, e mandando-as se calarem quando questionam algo. Mandando ficarem quietas quando poderiam estar crescendo, aprendendo coisas novas, se divertindo.

E porque esse estudo é uma generalização? Porque existem muitas pessoas inteligentes que questionaram sua crença e conseguiram encontrar um “porque” de continuar acreditando. E esses sim, podem se dizer felizes com a religião. O resto é puro rebanho.

By http://geradorii.com/

Um comentário:

Ricardo B. Marques disse...

Prezado Fernando:

Há um tempo você escreveu em meu blog um comentário sobre artigo que escrevi sobre Richard Dawkins. Somente agora o li, permiti a publicação e respondi no próprio blog, contudo achei legal por a resposta em seu blog também.

Chegando aqui, li suas postagens, todas muito interessantes. Claro, me chamaram mais atenção as de caráter anti-religioso.

Sabe, Fernando, como cientista e ex-ateu, levei tempo para descobrir o quão enganado eu estava em relação a esses assuntos, especialmente quanto à ignorância que existe e à confusão que se faz entre "religiosidade" (e, como cristão renascido, abomino a "religiosidade") e a fé cristã, conforme Jesus Cristo a pregou e a ensinou (e não conforme ensinam as religiões).

Já estive exatamente na sua postura, portanto, sei ser tolerante e compreender como você pensa. Assim, é fácil para mim respeitá-lo, mesmo discordando, compreende?

Portanto, respeito sua opinião sobre Dawkins, a qual, se leu todo o artigo, sabe ser a mesma que eu tinha sobre ele quando eu próprio me limitava ao reducionismo produzido pelo dogmatismo científico. Todo dogmático, cientista ou não, disfarça sua arrogância e intolerância sob o discurso do "não sabemos tudo", "vivemos pela dúvida" e coisas assim. No entanto, tal discurso é mero sofisma, usado no intuito de enganar o público em relação à verdadeira postura rígida e intolerante que adotam. A genialidade de Dawkins é um fato, e jamais a neguei - digo isso no artigo. Porém, ser "gênio" não faz com que ele esteja certo em suas posturas e assertivas. Se assim o fossem, teríamos problemas com outros gênios que crêem e dizem o contrário do que Dawkins tem dito. O dogmatismo exagerado de Dawkins e da casta incauta de seguidores que o idolatram como a um messias de uma falsamente chamada ciência (que, na verdade, é pura especulação filosófica, nada mais) é facilmente perceptível em seus escritos e falas, e tem sido combatido por cientistas cujo quilate, seja em termos de formação, seja em inteligência, seja em produção científica, deixa nosso Dawkins numa situação difícil. Agora, enxergar e admitir isso é questão de fórum íntimo, que passa por princípios como conhecimento, coerência e honestidade - e, convenhamos, cada vez mais temos menos pessoas assim no mundo. No meio acadêmico, parece ser mais raro ainda, amigo...

Fique em paz.

Ricardo.